Estudo: líderes empresariais não esperam que a economia recupere até 2022

Estudo: líderes empresariais não esperam que a economia recupere até 2022
22/01/2021 Ana Grácio

Estudo: líderes empresariais não esperam que a economia recupere até 2022As perspetivas para o futuro das empresas são sombrias. Esta é uma das principais conclusões de um inquérito promovido pela Kantar, consultora especialista no comportamento do consumidor, junto de 4.500 líderes empresariais de todo o mundo. Mais de metade (57%) dos líderes empresariais acredita que o peso económico da pandemia COVID-19 durará um ano ou mais após a chegada da vacina, com mais de um quarto (27%) a considerarem que seus negócios demorarão pelo menos dois anos para recuperar totalmente da crise. Além disso, mais de dois terços das empresas (69%) em todo o mundo, assumem que terminaram o ano 2020 em declínio, com um em cada seis líderes a admitir que os seus negócios podem cair 40% ao ano.

O Global Business Compass revela ainda que 54% das empresas expressaram a necessidade de apoio contínuo – principalmente na forma de melhores condições fiscais ou diferimento de pagamentos de impostos. Foi também possível identificar que quase dois terços das empresas (61%) reduziram os seus gastos em Marketing em 2020 (o decréscimo médio foi de 37%), reduzindo também os seus investimentos em media, em média, em 39%.

Então o que se espera que vá mudar nas empresas em 2021?

Num mundo pós crise pandémica foram muitos os líderes empresariais que afirmaram a necessidade de existir uma reformulação das estratégias das empresas, onde 90% esperam que as mudanças no comportamento do consumidor que ocorreram durante a pandemia se mantenham iguais na pós-pandemia, referindo ainda que nenhuma recessão até agora trouxe mudanças no consumidor desta magnitude.

O que é que as marcas poderão fazer de diferente? 64% dos líderes inquiridos esperam revisitar as suas prioridades estratégicas a longo prazo, porém, 79% reforçam a necessidade de se evoluir na estratégia principal da empresa e 84% assumem readaptar a sua estrutura organizacional. Ainda 72% dos líderes empresariais referem que pretendem repensar os seus métodos de trabalho, abraçando a agilidade e a flexibilidade.

Devido à elevada preocupação económica vivida por todo o mundo em virtude das elevadas restrições impostas à população pelos diferentes governos de cada país, o Global Business Compass identifica ainda três estratégias que as equipas de marketing devem procurar implementar nos seus novos modelos de recuperação dos negócios:

  1. A Transformação Digital

De acordo com o Barómetro Covid-19 da Kantar, 40% dos consumidores dizem ter aumentado o seu consumo de e-commerce durante o confinamento e 45% afirmam que continuarão a fazer compras online nas lojas que descobriram durante a pandemia.  Em virtude das drásticas mudanças que ocorreram em apenas alguns meses, 55% dos líderes empresariais concordaram que o consumo e os gastos online tenderão a aumentar. Contudo, apenas 55% das empresas investiram no digital durante a pandemia, por isso existe claramente muito trabalho a ser feito por parte das empresas para se ajustarem à nova realidade determinada pelo aumento do e-commerce.

Testar novas abordagens, como o comércio local e modelos diretos ao consumidor, também devem estar nas agendas das equipas de marketing enquanto investigam as novas necessidades dos consumidores e os diferentes pontos de contacto na sua nova jornada de comércio online. Desta forma, as empresas devem delinear estratégias que integrem dados internos e externos à empresa, de modo a que se obtenha rapidamente novos insights sobre os novos consumidores e as novas oportunidades do mercado.

  1. Propósito e Sustentabilidade

De acordo com os insights apresentados pelo mais recente Global Monitor da Kantar, 85% dos consumidores acha importante comprar marcas que apoiam causas nas quais acreditam. E a proporção de pessoas de 18 a 34 anos em todo o mundo que afirmam que as marcas devem “guiar a mudança” aumentou de 20% para 27% durante o lockdown.

O estudo revela também que é necessário incentivar os líderes a reconhecerem a importância de um modelo de negócio orientado por objetivos sustentáveis que permita às empresas continuarem a ser relevantes para o mercado de novos consumidores. Isto é, as equipas de marketing devem refletir sobre quais as necessidades explícitas ou implícitas que devem ser tidas em conta, porque é importante considerar o impacto que estas podem ter na vida das pessoas, seja a nível funcional ou emocional. Integrar o propósito como um elemento vivo da comunicação, produto, experiência de marca e compromisso com a marca, em vez de tratá-lo como um conceito isolado

3 – Desempenho e inovação da organização

Dois em cada três líderes não sentem ter o modelo de negócio correto para se tornarem competitivos. Durante a pandemia apenas 20% das empresas experimentaram o crescimento no mercado. Porém, 59% das empresas que conseguiram crescer ou que não sofreram nenhuma perda, dinamizaram o seu modelo de negócio, enquanto mais de um quarto das empesas investiram mais em inovação. A recuperação dos negócios exigirá às empresas alterações drásticas no que diz respeito às antigas formas de trabalhar, sendo crucial rever e investir significativamente num novo e adaptado desempenho organizacional.

Uma das prioridades estratégias apontadas pelos líderes empresariais que tem como objetivo garantir a narrativa corporativa e as estratégias a longo prazo, ao mesmo tempo que proporcionam uma rápida aceleração da curva de aprendizagens e da implementação de melhores práticas dentro da empresa, é a criação de um ciclo de feedback constante entre os colaboradores e os consumidores. Organizações isoladas que excluem a experiência do consumidor, tanto nas vendas como no marketing, precisam urgentemente de criar uma visão holística para reativar a procura.

É imperativo que as empresas em crescimento valorizem as opiniões dos seus consumidores, adaptando o seu negócio em função das suas necessidades, pois dar importância a suposições não é a melhor forma de prosperar em tempos de crise.

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