ONU e WFA apelam às marcas para combater o racismo e a discriminação

ONU e WFA apelam às marcas para combater o racismo e a discriminação
17/06/2020 Ana Grácio

ONU e WFA apelam às marcas para combater o racismo e a discriminaçãoApós a morte de George Floyd, as Nações Unidas (ONU) uniram forças com a Federação Mundial de Anunciantes (WFA) e emitiram uma declaração conjunta em que pedem às marcas para que usem a sua posição privilegiada a nível global em prol da sociedade. As duas entidades comprometeram-se a definir uma série de medidas que levem as marcas a procurar a diversidade e combater a discriminação através da publicidade.

A ONU e a WFA já trabalhavam em estreita colaboração na iniciativa Unstereotype Alliance, que une os profissionais de marketing na missão de banir os estereótipos das suas comunicações. Agora, as duas organizações globais comprometem-se a trabalhar com a indústria com o objetivo de desenvolver «mecanismos tangíveis de responsabilização» que apoiem as bases estruturais da igualdade e da inclusão na publicidade.

Numa carta aberta, a secretária-geral adjunta e diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, congratula-se com uma iniciativa da Creative Equals do Reino Unido, que obteve o compromisso de mais de 200 responsáveis da industria da publicidade para o apoio aos “black talents” e para a adoção de medidas, no que respeita à discriminação na indústria.

Phumzile Mlambo-Ngcuka continuou, no entanto, a exortar os líderes das marcas a tornarem pública a informação sobre a forma como atuam para alcançar e manter a diversidade entre os seus colaboradores e diretorias. Pediu também às marcas que medissem e falassem sobre o sucesso da promoção de valores, partilhados através do seu trabalho criativo, e nos quais se devem incluir conteúdos destinados à quebra de alguns estereótipos.

«Só assumindo a responsabilidade é que veremos uma mudança sustentável. (…) Acredito que podemos fazer mais para projetar o empenho da indústria do marketing e da publicidade na transformação do mundo num lugar mais inclusivo», escreveu a Comissária.

Um momento decisivo

Numa carta separada, o CEO da WFA, Stefan Loerke, afirmou que os anunciantes tinham um papel muito relevante a desempenhar neste que é «o momento de uma geração enfrentar a intolerância racial».

«Sabemos que as marcas podem constituir uma força positiva e que os consumidores esperam que estas ajudem a criar um mundo melhor. Muitas marcas têm demonstrado a sua solidariedade e têm feito corresponder as suas palavras às ações que realizam», afirmou. «Como marketers, podemos fazer uma grande diferença – através, por exemplo, da constituição de equipas diversificadas e inclusivas, nas quais fica assegurada a diversidade das nossas comunicações», acrescentou o responsável.

Loerke acredita que os protestos nos EUA criaram um novo sentido de urgência no trabalho que tem sido desenvolvido pelo Grupo de Diversidade e Inclusão, recentemente criado pela WFA e liderado pela ex-marketing lead da EA, Belinda Smith, e pelo senior media director da GSK para a EMEA, Jerry Daykin, enquanto embaixadores da diversidade.

Ativismo de Marca

A morte de Floyd, após quase nove minutos sob o joelho de um polícia, deu origem a vários protestos generalizados contra o racismo sistémico e contra a brutalidade policial em relação aos negros nos EUA e Europa.

O compromisso da WFA e da ONU em construir sistemas que ajudem a medir a diversidade dentro das equipas de liderança e da força de trabalho das marcas, surge como consequência das agências de publicidade não terem cumprido as metas de diversidade.

Vejamos o exemplo do Reino Unido, em que o IPA (Institute of Practicioners in Advertising) tinha definido algumas dessas metas, e uma avaliação muito recente mostrou que o número de funcionários, provenientes de minorias étnicas, diminuiu ao longo dos últimos 12 meses, nas agências de publicidade do Reino Unido. O recenseamento anual das agências no IPA concluiu que, para além de constituir uma proporção menor da mão-de-obra das agências do Reino Unido, o pessoal de origem negra, asiática e étnica minoritária (BAME) também viu diminuída a sua representação nos quadros superiores das empresas. O grupo de colaboradores BAME, inseridos no conjunto de 24.866 funcionários registados como colaboradores de agências publicitárias em 2019, sofreram uma diminuição de 13,8% para 13,7%, em comparação com o ano anterior. Embora a diversidade em posições júnior tenha aumentado ligeiramente, 17,7% (contra 16,9% em 2018), apenas 4,7% das funções desempenhadas pelos quadros superiores das empresas eram ocupadas por trabalhadores oriundos de minorias étnicas – o que representa uma diminuição de 0,8% desde 2018.

As cartas abertas de Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-geral adjunta e diretora executiva, e Stefan Loerke, CEO da WFA, aceda AQUI.

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